Ocupar espaços e visibilizar narrativas e perspectivas contra-hegemônicas foram aspectos centrais no lançamento da temporada 4 de Ancestrais do Futuro. A websérie da Fundação Tide Setubal, que tem como objetivo mostrar dinâmicas diversas da mobilização das juventudes em seus respectivos territórios.
O tema central desta nova fase, cujo lançamento ocorreu em 15 de outubro, em evento realizado no Itaú Cultural, é o debate sobre mudanças climáticas, ao promover reflexão para adiar-se diariamente o fim do mundo. Para tanto, um aspecto norteador é o debate que o ambientalista, filósofo, poeta e imortal Ailton Krenak coloca sobre o tema:
“A nossa mãe, a Terra nos dá de graça o oxigênio, nos põe para dormir, nos desperta de manhã com o sol, deixa os pássaros cantar, as correntezas e as brisas se mover, cria esse mundo maravilhoso para compartilhar, e o que a gente faz com ele? O que estamos vivendo pode ser obra de uma mãe amorosa que decidiu fazer o filho calar a boca ao menos por um instante não porque não goste dele, mas por querer lhe ensinar alguma coisa.”
Razão de ser e estar
Em âmbito estrutural, um dos aspectos centrais desta e das temporadas anteriores do projeto consiste no fomento à atuação de coletivos audiovisuais com trajetória periférica das cinco regiões do Brasil. Nesse sentido, até aqui, vinte organizações receberam, cada uma, apoio de R$ 20 mil para a produção de curtas-metragens e para investimento em áreas que considerassem fundamentais para os seus respectivos desenvolvimentos. Logo, o total repassado até a quarta edição foi de R$ 400 mil.
Fernanda Nobre, gerente de Comunicação da Fundação Tide Setubal, destacou essa dimensão e o papel que essa estratégia tem para fortalecer a narrativa feita por e para atores das periferias. “A websérie Ancestrais do Futuro conecta-se com o eixo de comunicação de causas, no qual, gosto sempre de dizer que uma causa não precisa ter apenas a assinatura institucional. O nosso papel como instituição é também ser plataforma para que outras vozes vocalizem e legitimem debates fundamentais para enfrentar a desigualdade nos territórios.”
Ao dialogar com essa lógica, Tony Marlon, educador, comunicador popular e membro da Coordenação Executiva do Ancestrais do Futuro, reforçou a lógica do protagonismo por meio do espaço que produtoras e produtores das periferias têm para reverberar suas narrativas.
“Isso é produção de pensamento e elaboração intelectual. Então, o que estamos vendo é uma elaboração intelectual sobre esse tema. Ou seja, trata-se da conversa urgente do nosso tempo, mas com cada uma de nós, elaborando a partir de um lugar, pois a cabeça pensa onde os pés pisam”, reforça.
Finalmente, Mariana Almeida, diretora executiva da Fundação Tide Setubal, descreveu que o processo de transformação social em voga no início dos anos 2000 tinha dinâmica colonizada. Ou seja, por meio de uma espécie de manual previamente estabelecido e sem possibilidade de adaptação a mudanças que pudessem surgir com o tempo.
No entanto, a necessidade de adaptar a atuação tornou-se continuamente necessária. “Onde está a grande resposta? Essa é a nossa alienação para entender que o mundo só é transformado se ele for realmente transformado. Mas somente se transforma o mundo fazendo, vivendo e se sentindo parte dele. A revolução é deixar viver, ou seja, garantir de fato que haja vida e que não seja tão difícil.”
Para dar play
Assista aos episódios da temporada 4 da websérie Ancestrais do Futuro no Enfrente, canal da Fundação Tide Setubal no YouTube. Cada filme entra no ar sempre às terças-feiras.
Confira a seguir os episódios que compõem esta temporada:
- Nossos Sonhos pela Janela, da Bora Fazer Filmes (MT);
- Da Terra ao Clima, da Gueto Hub (PA);
- No Tempo do Sonho, da Coquevídeo (PE).
- De Bará a Oxalá, do Cine Kafuné (RS);
- Onde a Terra Ferve, do Núcleo AOTA (SP).