Como poderemos agir para contribuirmos com a construção de um futuro inclusivo e pautado pelo respeito ao meio ambiente? E como os saberes ancestrais e cosmovisões de povos originários podem nos guiar em direção a esse propósito?
Esses questionamentos, que nos mostram como a criação de qualquer horizonte de futuro depende de sermos capazes de respeitar o clima e o meio ambiente - e coexistir em harmonia com ambos -, têm papel central na série de eventos Encontros Bongola 2025: Raça, Clima e Futuros Possíveis.
O evento, que acontecerá em 8 e 9 de setembro, no Itaú Cultural, conta com organização da Plataforma Ancestralidades, colocará em pauta reflexões e trocas sobre as intersecções entre questões raciais, mudanças climáticas e novos - e inclusivos - horizontes para o futuro.
Diálogos no presente para construirmos futuros inclusivos
O pontapé inicial do evento, que acontece sob o título Seminários Bongola: Raça, Clima e Futuros Possíveis, será em 8 de setembro, às 19h.
O diálogo passará por dimensões como por que chegamos a um momento crítico da História quando se fala na crise ambiental e em mudanças climáticas, assim como caminhos possíveis para revertermos esse cenário e criarmos horizontes para a construção de futuro em que a preservação ambiental e a equidade racial e de gêneros tenham papéis centrais e estruturantes.
Com mediação de Ana Sanches, pesquisadora e ativista no movimento negro-ambiental, doutoranda em Mudança Social e Participação Política na Escola de Artes Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH/USP) e consultora no departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador Ministério da Saúde nas pautas de equidade, o evento terá as presenças de:
- Bayo Akomolafe, psicólogo clínico e escritor iorubá, fundador da The Emergence Network e curador do programa internacional We Will Dance with Mountains, e membro do Club of Rome e Embaixador da Wellbeing Economy Alliance. Autor dos livros ‘These Wilds Beyond our Fences’ e ‘We Will Tell Our Own Story’, Akomọlafe ocupa a cátedra de Professor Distinto Hubert Humphrey de Estudos Americanos no Macalester College (EUA). Já foi pesquisador e professor convidado em instituições como Harvard, MIT, Schumacher College e Universidade de Turim, e recebeu títulos honorários e prêmios de excelência em psicoterapia, filosofia e liderança global. Desde 2020, colabora com o Projeto Regenerar, participando de filmes, eventos e criações coletivas que ampliam esse diálogo no Brasil e no mundo;
- Kaká Werá, escritor, educador e conferencista indígena, descendente do povo Tapuia e acolhido pela comunidade Guarani. Autor de 20 livros e tem obras reconhecidas, como ‘A Terra dos Mil Povos’, eleito pela USP um dos 200 livros fundamentais para compreender o Brasil, e ‘Menino-Trovão’, vencedor do Prêmio Cátedra Unesco em 2022. Em 2024, recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura Infantojuvenil com ‘Apytama, Florestas de Histórias’;
- Maryellen Crisóstomo, quilombola do Território Baião, no Sudeste do Tocantins. Jornalista e graduanda em Direito. Ativista de Direitos Humanos, ambientalista, coordenadora da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO) e integrante do Coletivo de Mulheres Quilombolas da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), consultora especialista em Justiça Econômica e Direito das Mulheres na ActionAid Brasil e associada ao Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação.
Das telas para a vida
O segundo dia do evento será em 9 de setembro, também às 19h. A atividade terá a exibição do documentário Regenerar: Caminhos Possíveis em um Planeta Machucado (2022).
Com direção de Maria Clara Parente, que é também corroteirista do projeto, o filme é dividido em três partes que passam, respectivamente, por morte, sonho e vida.
A partir desse tripé temático, a obra contém entrevistas feitas entre 2020 e 2021 com especialistas como o próprio Bayo Akomolafe, Tainá de Paula, Aza Njeri e Sidarta Ribeiro, entre outros.
A atividade terá as presenças de Bayo Akomolafe, Maria Clara Parente, diretora e corroteirista do filme, e das seguintes pessoas especialistas:
- Aza Njeri (Viviane Moraes): doutora em Literaturas Africanas (UFRJ) e professora pesquisadora de Literaturas, Culturas, Artes e Filosofias Africanas e Afrodiaspóricas. Atua no Departamento de Letras e Artes da Cena da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), no Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade. É pesquisadora Jovem Cientista Mulher FAPERJ, pesquisadora FAPERJ e Pesquisadora CAPES/COFECUB. Coordena o Laboratório de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares sobre o Continente Africano e as Afrodiásporas da PUC-Rio;
- Ana Clara Cenamo: psicóloga, geógrafa e produtora executiva, fundadora da Spanda Produtora. Entre seus trabalhos no audiovisual destacam-se o documentário ‘Leões de Paraisópolis’ (2017), realizado em parceria com a ESPN; a série This is Not the Truth' (2018–2019); e ’Rgenerar: Caminhos Possíveis em um Planeta Machucado' .
Para se programar
Os ingressos para as duas atividades que compõem a programação do Seminário Bongola 2025: Raça, Clima e Futuros Possíveis estão disponíveis na plataforma INTI para o diálogo que acontecerá no dia 8 e para a exibição do filme, no dia 9.
Vale destacar que o público poderá retirar os ingressos para os dois dias na plataforma INTI. Quem não conseguir garanti-los antecipadamente poderá comparecer ao Itaú Cultural nos dias dos eventos e tentar adquirir uma possível entrada remanescente. Haverá formação de fila de espera por ordem de chegada uma hora antes do evento.
Além disso, o diálogo de 8 de setembro terá transmissão simultânea no canal do Itaú Cultural no YouTube. Haverá intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e tradução simultânea da língua inglesa para o Português.