Gênero, território, economia e saberes ancestrais são aspectos centrais para a pesquisa Da carne da Terra se faz a cerâmica, de Sileusa Natalina Menezes Monteiro.
A mestranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) foi uma das pesquisadoras selecionadas na edição 2024 do Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa, na categoria Pesquisas e estudo em andamento.
O estudo de Sileusa teve como foco analisar a relação de mulheres indígenas na região de São Gabriel da Cachoeira (AM) no manejo e produção de cerâmicas.
Contudo, essa atividade não tem aspectos meramente econômicos, ainda que lidem com a subsistência e o empoderamento feminino: o processo lida com a argila como a ‘carne da terra’. E isso evidencia, por meio do manejo da argila, a relação com o meio ambiente e a cosmovisão que se pauta pela integração plena e simbiótica do ser humano com a natureza.
Em entrevista à Plataforma Ancestralidade, Sileusa Natalina Menezes Monteiro fala sobre o estudo, a dinâmica de mulheres indígenas com o meio ambiente e o manejo da argila - ou da ‘carne da terra’ - para produção de peças de cerâmica e a atividade econômica resultante desse ecossistema. E o diálogo passa também por lições que essa dinâmica deixa para todas e todos nós, assim como os impactos da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que acontecerá em novembro, em Belém (PA), nesse contexto.
Confira a entrevista a seguir.
Com base na sua pesquisa, como a produção de peças de artesanato Tukano funciona como elemento central na promoção do protagonismo político feminino no território do Distrito de Taracuá?
Sileusa Natalina Menezes Monteiro: A compreensão de que há ‘um’ fazer político das mulheres indígenas do Distrito de Taracuá ao produzirem Cerâmica Tukano fundamenta-se no reconhecimento da agência etnopolítica feminina em contextos diários da vida de suas famílias, comunidades e povos. Esta agência configura-se pelos conhecimentos que as mulheres indígenas possuem referenciadas pelas suas ancestralidades e repassadas de geração em geração, por meio da oralidade, técnicas, habilidades e vivências e prática no cotidiano.
As mulheres indígenas, ao fazerem Cerâmica Tukano, dialogam com os parentes indígenas e com perkasã (não indígenas), assim como dialogam e negociam com a Di’i Yekõ (avó da argila), que é a outra humana que vive no mundo invisível, dona e agenciadora da ‘carne da terra’. No fazer cerâmica, as mulheres pedem a permissão para avó da argila para coletar o barro e fazem betisé - seguem regras e fazem cuidados - para terem sucesso no processo de produção da cerâmica.
No contemporâneo, o fazer cerâmica entrelaça-se com o movimento de mulheres indígenas por meio do associativismo feminino e, desta forma, o corpo da mulher indígena dentro do território é um corpo político: as mulheres indígenas são protagonistas, suas vozes não são individuais e representam a voz coletiva de outras mulheres. Quando acessam outros territórios, as vozes das mulheres indígenas que falam em espaço público fora do território continuam a ser políticas, dialogando com vários corpos indígenas de diferentes povos e territórios, e com não indígenas.
Sendo assim, é importante extrapolar a compreensão da etnopolítica de mulheres indígenas como sendo aquela exercida no movimento de mulheres indígenas e por meio de sua participação em associação de mulheres, ocasiões de maior visibilidade justamente por acessarem espaços públicos mais amplos de tomadas de decisões. O tom etnopolítico da voz da mulher indígena está presente também no espaço dos afazeres cotidianos como o da Cerâmica Tukano. É preciso considerar tais práticas etnopolíticas cotidianas como parte das decisões coletivas dos povos do Alto Rio Negro, sejam elas referentes aos assuntos de âmbitos local, regional e nacional.
Um ponto emblemático do seu estudo diz respeito ao tratamento da argila usada para a produção das peças como “carne da Terra”. Como essa prática evidencia a relação simbiótica e sustentável com o meio ambiente, assim como para apontar horizontes e possibilidades para preservá-lo?
Sileusa Natalina Menezes Monteiro: Primeiramente, vamos entender o que é a ‘carne da terra’, que é conhecida na literatura como argila ou barro. Chamamos-a, na língua indígena Tukano, de di’i, e, em Nheengatu (língua geral amazônica), de tuyuca .O termo di’i possui dois significados na língua Tukano: carne humana e animal e a ‘carne da terra’ presente dentro da terra. Ela pode ser encontrada nas margens ou leito dos cursos de rio e nas cabeceiras dos igarapés, que podem ter colorações branca, marrom, azul, amarela e avermelhada. Para os povos indígenas do Alto Rio Negro da região de Taracuá, Iauarete e Pari-Cachoeira, a ‘carne da terra’ é di’i. A carne da dona da argila, chamada Di´i mahsõ ou Di´i Yekõ, é a agenciadora da ‘carne da terra’ e do fazer cerâmica. Mas a ‘carne da terra’ por si só não se transforma em cerâmica: precisa de um antiplástico chamado noãgü (caraipé), que pode ser encontrada no igapó, capoeira e terra firme. O caraipé é um elemento essencial na transformação da ‘carne da terra’ em cerâmica, devido às suas propriedades de plasticidade quando misturada com a argila que os torna manuseável para a modelagem e evita que argila seque rápido.
O local onde tem di’i peeri, buracos ou jazidas de ‘carne da terra’, é considerado pelos povos indígenas do território de Taracuá como wametisé - lugares que tem nome, possuem narrativas e dona do lugar. O termo “dona do lugar” é no sentido de política de manejo de povos indígenas da região de Taracuá, na qual há diálogo entre mahsã (humanos) e outros humanos (os Wa’imahsã), que habitam os domínios dos espaços aquáticos, terra/floresta e espaços aéreos. Dessa forma, o diálogo, a negociação e o pedido de permissão para uso dos recursos naturais importam . Essa política faz parte da responsabilidade de manejo da terra e cuidados com o território, evitando conflitos de convivencialidade entre os dois mundos - dos humanos e outros humanos -, prevenindo doenças advindas dos Wa’imahsã chamadas duhtitise ou Wa’imahsa wehĕoké.
Desde os tempos ancestrais, a outra humana Di´i mahsõ ou Di´i Yekõ, pertencente ao povo Di´i mahsã (gente argila), é dona do lugar de jazidas de ‘carne da terra’ e agenciadora do fazer cerâmica. Di´i Yekõ tem suas exigências e regras ao tocá-las, ao retirá-los e no processo de manufatura. Quando contrariada, dá doenças ou faz as peças de cerâmica racharem ou quebrá-las no momento da queima. É agenciadora no manejo da ‘carne da terra’ e mulheres indígenas fazedoras de cerâmica têm contato constante com a avó argila durante o processo de manufatura, independente das transformações culturais. Para acessar a jazida de ‘carne da terra’ recém-descoberto, antes da retirada da argila precisa-se de basesé, tecnologia indígena de cuidado do corpo e saúde que envolve a metafísica (evocações e articulações de qualidades resistentes para proteger o corpo contra doenças) e metaquímica (articulações e evocações de elementos para a cura de doenças por meio de taxonomia de plantas e animais que vivem na floresta, água e no ar) feito pelo kumu (benzedor), por meio do mürorõ (cigarro). O kumu dialoga, negocia e pede permissão para retirada da argila com a Di’i Yekõ, além de wetidaré (proteger) o corpo das mulheres presentes no local para não contrair doenças advindas da dona da argila e dos Wa’imahsã que habitam aquele lugar - e que são os donos dos animais e dos vegetais.
Essa regra comportamental é necessária para o equilíbrio ambiental e em respeito a outros humanos presentes nesse território. Quando não há mediação do kumu com Di’i Yekõ e Wa’imahsã para acessar pela primeira vez um di’i peeri, o lugar se torna wuaró, passível de causar doenças. Tanto a Di’i Yekõ como os Wa’imahsã são capazes de desferir doenças aos humanos em defesa do seu território por e sentirem atacados pelos humanos. Após a mediação do kumu com a Di’i Yekõ e Wa’imahsã para a retirada da argila, mulheres indígenas acessavam o di’i peeri com corpo protegido por meio de basesé e pedem à ‘carne da argila’ para Di’i Yekõ. O pedido de permissão para a retirada da ‘carne da terra’ é importante, pois quando mulheres indígenas retiram a argila, estão retirando a carne da batata da perna da Di´i Yekõ e, por isso, esse processo exige técnica e cuidados para não os machucar. O pedido de permissão para retirá-la demonstra relação de respeito entre as mulheres indígenas com a dona do lugar e da argila e com outros humanos que habitam aquele território. Isso é política de manejo da terra que exige diálogo entre humanos e outros humanos na gestão de recursos naturais. Por isso, esses conhecimentos são importantes para os cuidados com a terra e com o corpo e saúde e para o fortalecimento do saber fazer cerâmica.
"Não se pode falar em economia sem falar em sistema de conhecimentos indígenas. O fazer cerâmica é parte desse sistema de conhecimentos que se relaciona a modos de vida, discursos, práticas no cotidiano e conectado com a ancestralidade e com a natureza."
Como a preservação socioambiental e o fortalecimento político feminino por meio da produção das peças de artesanato Tukano influenciam o modo como a atividade econômica é organizada nesse contexto?
Sileusa Natalina Menezes Monteiro: A cerâmica já fazia parte da economia indígena. É bom que se diga que quando se fala em economia indígena, precisa-se compreender que existem modos de ver, pensar e praticar a economia indígena conforme a especificidade e contexto cultural de cada povo. Nesse contexto compreende-se que há diversidade de concepções sobre o que é economia indígena. Logo, não tem conceituação definida e não é possível escolher uma certa concepção para falar sobre as economias indígenas. Sendo assim, podemos valorizar a diversidade de economias indígenas. E não se pode falar em economia sem falar em sistema de conhecimentos indígenas. O fazer cerâmica é parte desse sistema de conhecimentos que se relaciona a modos de vida, discursos, práticas no cotidiano e conectado com a ancestralidade e com a natureza. No passado, a cerâmica foi um dos artefatos da economia indígena que fazia parte de ampla rede de trocas entre os povos indígenas, que envolvia a troca de utensílios domésticos, frutas, peixes, caça, manivas, cestaria até troca de casamentos. A rede de trocas fortalecia as relações interétnicas e a convivencialidade entre os povos indígenas por meio de dabucuri, po’osé, na língua Tukano. Os utensílios domésticos feitos de ‘carne da terra’ tinham função, valor e importância dentro do contexto cultural e circulava entre mulheres de distintos povos por meio da rede de trocas.
Em contato com a colonização, a economia indígena ganhou outras configurações como possibilidades de solucionar problemas relacionados ao dinheiro, pois no contemporâneo não se pode comprar nada sem ter um capital. Uma das estratégias para os povos indígenas terem acesso ao dinheiro e comprar suas necessidades é a venda de artesanatos. O fazer cerâmica está nesse contexto e adormeceu quando foi apresentado por colonizadores outros utensílios domésticos feitos de plástico e alumínio, ficando restrito somente ao conhecimento de algumas mulheres avós. Porém, nos anos 2000, esse conhecimento acorda e se fortalece na região do rio Uaupés e Tiquié, onde Taracua faz parte, por meio de oficinas de cerâmica realizadas no âmbito do movimento indígena. Essa foi uma parceria entre associativismo de mulheres indígenas, Federação das Organizações Iindígenas do Rio Negro e Instituto Socioambiental, visando a autonomia financeira e fortalecendo o protagonismo de mulheres indígenas no espaço de decisões.
Para a venda da cerâmica, criou-se uma marca coletiva denominada Cerâmica Tukano, como um artefato político e de resistência de mulheres indígenas de Taracuá, Pari-Cachoeira e Iauaretê, conhecido também como triângulo tukano. Nessa perspectiva, precisa-se compreender que a Cerâmica Tukano refere-se a um elemento cultural de valorização étnica que incorpora também o valor patrimonial cultural do Alto Rio Negro, entre tantos outros exemplos: Cerâmica Baniwa, Pimenta Baniwa, Cestaria Baniwa, Cerâmica Koripaco, Banco Tukano e Cestaria Yanomami. Portanto, não se trata apenas de fabricar cerâmicas como práticas costumeiras dos povos indígenas de diversas etnias, mas sim do processo de fazer cerâmica das mulheres indígenas de Taracuá que produz um artefato que é, em si mesmo, uma afirmação etnopolítica. O termo Cerâmica Tukano é uma marca coletiva pensada politicamente que se refere à cerâmica produzida pelas mulheres pertencentes à família linguística Tukano Oriental - Tukano, Dessana, Piratapuia, Tuyuca, Bará, Kotiria, entre outras. Porém, mulheres pertencentes ao Povo Tariana, da família linguística Aruak, falantes da língua indígena Tukano, também são fazedoras e vendedoras de Cerâmica Tukano. Esse fato decorre das regras de casamento e virilocalidade, que trazem mulheres de outros territórios e das mobilidades. Quando uma família sai de um território e se muda para outro, dos parentes do marido ou da esposa por diversos motivos, isso reúne em um só território mulheres de diversos grupos exogâmicos.
Nesse contexto, os artefatos de cerâmica, antes considerados utensílios domésticos que não recebiam grafismo como ornamentação, pois tinha uma política de estética, na qual somente as peças de cerâmica de uso ritual levavam grafismo, ganha um desdobramento por considerar que a prática e o discurso dos povos indígenas são sujeitos a novas configurações, ressignificações, inovações, recriações e acompanham a dinâmica cultural. Dessa forma, mulheres indígenas ressignificaram o processo do fazer cerâmica e inovaram as peças para comercialização da Cerâmica Tukano, produzindo as - cerâmicas tradicionais – peças confeccionadas antigamente por mulheres para o uso doméstico como kipotüpaari (panelas de cerâmica), tigelas com pé, pratos, forno, fogareiro, camuti, tripé entre outros. Confeccionam peças chamadas por ceramistas de – inovações - são peças não faziam parte dos utensílios domésticos indígenas como xícara com pires, caneca, potinhos com ou sem tampa, panelinha, vaso, coruja, jabuti, peixe, sapo, cinzeiro, bandeja, tigela em formato de peixe, portas-joias, fruteira, porta-lápis, bules entre outros produtos. Todas as peças levam pintura de grafismo, pois assim agregam valor ao produto e chama a atenção por sua beleza no mercado.
As fazedoras de cerâmica afirmaram que o fazer cerâmica para a comercialização é trabalhoso, exige habilidade, técnica e paciência - ‘é para quem tem duhiri utú’ (quem tem paciência e se senta para trabalhar) - e, muitas vezes, os produtos não são valorizados no mercado. Quando mulheres indígenas ceramistas afirmam que os produtos não são valorizados no mercado, dizem que deixam outros afazeres para se dedicar a fazer cerâmica, seguem betisé (conjunto de regras e cuidados) quando manufaturam peças grandes, colocam em prática suas habilidades, técnicas e criatividade na inovação das peças, além de seguir todo o processo que vai desde o pedido de retirada da argila para Avó da Argila até o acabamento com grafismo e limpeza das peças. Trata-se de um processo trabalhoso e manual. No contemporâneo, com a venda de Cerâmica Tukano, mulheres indígenas fazedoras de cerâmica conseguem sustentar suas famílias e comprar gêneros alimentícios, material escolar, utensílios domésticos, eletroeletrônicos. Algumas conseguiram comprar voadeira de alumínio [N.R.: modelo de barco usado na região], motor rabeta e motor HP [N.R.: trata-se de motor de popa para barcos] para suas mobilidades para a cidade para a venda de cerâmica. Porém, demostraram aflições e preocupações relacionadas à gestão de tempo, tendo em vista que a venda de cerâmica não é o único meio de sustentabilidade de suas famílias.
Além de serem fazedoras de cerâmica, elas são as principais produtoras de alimentos derivados de mandioca, da culinária local e cuidam de suas famílias. Isso requer gestão de tempo e dedicação exclusiva para a produção de cerâmica para a comercialização e interfere nos outros afazeres domésticos, principalmente nos cuidados com a família e trabalhos na roça. Por mais que seja desafiador produzir e vender Cerâmica Tukano, a venda gera renda e traz autonomia financeira para mulheres indígenas fazedoras de cerâmica no sustento de suas famílias. Isso faz a economia circular na cidade por meio de venda da cerâmica e compras de materiais de sua necessidade e no próprio território. Com o dinheiro que sobra das compras, elas adquirem dentro do território derivados de mandioca como beiju, goma e farinha de outras mulheres, assim como peixe, carne de caça ou frutas.
Ao pensarmos também na COP 30 e no debate sobre preservação socioambiental e ancestralidade, como o contexto da comercialização do artesanato Tukano apresenta horizontes para a preservação ambiental com equidade de gênero e preservação socioambiental como elementos centrais?
Sileusa Natalina Menezes Monteiro: A política de comercialização da Cerâmica Tukano, visando a autonomia financeira de mulheres indígenas em Taracuá, demandou maior quantidade de uso de recursos naturais como argila e caraipé. No território há jazidas de argila e isso não significa que não podemos construir um plano de manejo da argila e do caraipé. Pelo contrário: é necessário construir essas discussões pensando nas gerações futuras. Nos últimos tempos, a oferta da árvore caraipé (Licania sp.) no território caiu bastante, pois as mulheres indígenas derrubaram muitas árvores para tirar as cascas. Após queimadas, piladas e peneiradas, elas transformam-se em pó de caraipe, elemento essencial na transformação da argila. Mas a árvore derrubada não regenera: morre.
Diante desse problema observado durante a pesquisa de campo, está em execução, em 2025, o Projeto noãgü (caraipé): um elemento essencial na transformação da argila em cerâmica. A iniciativa foi selecionada no edital do Labora – Fundo de Apoio ao Trabalho Digno, tendo como proponente do projeto a Rede de Mulheres Indígenas do Estado do Amazonas - Makira E’ta. O objetivo é construir um plano de manejo, estratégias para reflorestar, mapear e zonear os pés de caraipé e um espaço para discutir políticas ambientais indígenas junto com mais velhos e velhas, construtores desses conhecimentos ancestrais. Esse é um horizonte para o fazer cerâmica continuar a ser transmitida e praticada ao longo do tempo de forma sustentável.
Iniciativas como o Projeto Caraipé são importantes, pois promovem o reconhecimento da natureza como sujeito de direitos. A proteção e conservação da biodiversidade são importantes para nossa própria existência e para existências de outros humanos, que são os donos dos vegetais e animais. Os mais velhos costumam dizer que quando derrubamos muitas árvores, os outros humanos se entristecem e vão embora e levam junto os animais, pássaros e vegetais, deixando o território escasso de alimentação. Então, não é apenas fazer cerâmica e vender para ter autonomia financeira: é necessário cuidar do território para continuar usufruindo dos recursos naturais, pois a vida se conecta com a natureza que oferece recursos naturais e outros meios de sustentabilidade.
Nas discussões da COP 30, é importante enfrentar as falsas soluções financeiras baseadas na financeirização da natureza, como a bioeconomia, em que a cerâmica se insere mas, por trazer uma palavra bonita, vem vestida de neoextravismo. Não podemos olhar a floresta como um diamante verde que solucionará problemas financeiros, mas sim como um espaço a ser manejado com respeito mútuo entre humanos e outros humanos. O manejo da terra é importante, pois a terra é vida e oferece vida para todos.