Lideranças negras femininas nas quais devemos nos inspirar e espelhar todos os dias (parte 2)

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Transformar estruturas sociais e combater padrões alicerçados na desigualdade sociorracial passa pelo protagonismo de mulheres negras. Afinal, inclusive por meio de estudos e dados estatísticos, é evidente o fato de esse grupo demográfico ocupar a base...

Lideranças negras femininas nas quais devemos nos inspirar e espelhar todos os dias (parte 2)
Tânia Rego / Agência Brasil

Transformar estruturas sociais e combater padrões alicerçados na desigualdade sociorracial passa pelo protagonismo de mulheres negras. Afinal, inclusive por meio de estudos e dados estatísticos, é evidente o fato de esse grupo demográfico ocupar a base da pirâmide social.

Nesse sentido, o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha tem como objetivo colocar em evidência as especificidades de demandas e subjetividades das mulheres negras. Idem para funcionar como um chamado à contestação do status quo sociopolítico e econômico e, consequentemente, ser um convite para a construção de uma sociedade pautada pela equidade racial e de gênero.

Em lembrança à data, a Plataforma Ancestralidades disponibiliza uma relação com verbetes biográficos de lideranças femininas nas quais todas as pessoas, independentemente de etnia e gênero, devem se inspirar.

Confira a seguir a segunda parte da lista sobre lideranças negras femininas inspiradoras. Aproveite também para conferir a parte 1 da relação.

 

Luiza Bairros

Referência na luta antirracista, Luiza Bairros (1953-2016) foi socióloga e ministra da Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (Seppir) entre 2011 e 2015. Luiza Bairros foi também liderança do Movimento Negro Unificado (MNU) e do movimento de mulheres negras e latino-americanas. Sua produção intelectual destaca-se graças ao exame da relação entre trabalho, desigualdades e raça e à análise do padrão do ativismo antirracista brasileiro. Conheça a vida e obra da intelectual.
 

Mãe Menininha do Gantois

A Ialorixá tornou-se célebre por liderar a casa de candomblé Ilé Ìyá Omi Àse Ìyámasé, do Terreiro de Gantois, de 1922 a 1986. Além disso, sua fama deveu-se ao seu protagonismo na difusão e na popularização do candomblé na Bahia. Saiba mais sobre sua trajetória.

 

Margareth Menezes

Atual ministra da Cultura no Governo Federal, a cantora, compositora e atriz é precursora do gênero samba-reggae, o qual emergiu no fim dos anos 1980. Entre os artistas expoentes do movimento, Margareth Menezes foi uma das artistas que mais se dedicou a cantar letras que afirmassem a autoestima do povo negro brasileiro. Saiba mais detalhes de sua trajetória.


Maria Auxiliadora

Pintora, costureira e bordadeira, Maria Auxiliadora (1935-1974) foi reconhecida por seus quadros com cores puras e vibrantes, pelos volumes e relevos feitos com massa acrílica e mechas de cabelo e por retratar cenas do cotidiano urbano e rural. A artista retratou também temas afro-brasileiros, como terreiros, capoeira e rodas de samba. Conheça sua vida e obra.


Maria Firmina dos Reis

Romancista, contista, poeta e professora, Maria Firmina dos Reis (1822-1917) foi a primeira mulher negra a publicar um romance no Brasil e, consequentemente, considerada precursora das literaturas abolicionista e afro-brasileira. Saiba mais detalhes sobre sua trajetória pioneira.

 

Maria Inês da Silva Barbosa

Pioneira nos estudos sobre a saúde da população negra no país, a pesquisadora Maria Inês da Silva Barbosa destaca-se pelos estudos que interseccionam saúde e raça, ao apontar o racismo como um dos determinantes sociais responsáveis pelo adoecimento da população negra. Conheça sua trajetória.


Maria Lucia da Silva

Psicóloga, psicanalista e psicoterapeuta, Maria Lucia da Silva é especialista em trabalhos com recorte de gênero e raça e sobre a questão da negritude e do racismo dentro da psicologia. Com atuação em diferentes instituições, com destaque para ser cofundadora do Instituto AMMA Psique e Negritude, atua em favor da consolidação do debate sobre racismo e saúde mental no Brasil. Saiba mais sobre o seu trabalho.


Mariana de Matos

Poeta e artista visual. Investiga, tanto no campo das artes visuais quanto da literatura, a presença de diferentes narrativas através da contribuição da poesia negra na decolonialidade das relações, além de passar por questões como identidade, conflitos territoriais e as relações de poder na história do Brasil, advindas da escravidão. Conheça a sua obra.


Matilde Ribeiro

Assistente social, professora universitária, pesquisadora e gestora. Matilde Ribeiro foi a primeira ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Saiba mais sobre sua trajetória.


Mercedes Baptista

Primeira bailarina negra a integrar o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Mercedes Baptista (1921-2014) foi figura-chave no âmbito da dança, ao fomentar o processo de inserção étnica e cultural em curso no Brasil, além de uma grande divulgadora da dança afro-brasileira. Leia o verbete com a sua bibliografia.


Mestra Maria Margarida

Cantora, compositora, dançarina e brincante, Mestra Maria Margarida contribuiu para a construção de uma memória de manifestações artísticas populares. Além disso, é figura reconhecida na fundação de grupos, majoritariamente femininos, que atuam como resistência artística na região do Cariri cearense. Conheça a sua trajetória.


Mundinha Araújo

Pesquisadora, diretora do Arquivo do Estado do Maranhão, Mundinha Araújo é fundadora do Centro de Cultura Negra do Maranhão e do Bloco Akomabu. É também figura central em São Luís e referência na luta antirracista das regiões Norte e Nordeste. Confira o verbete.


Neusa Santos Souza

Psiquiatra, psicanalista, escritora, Neusa Santos Souza (1948-2008) tornou-se referência na construção epistemológica dos aspectos sociológicos e psicanalíticos da negritude, no debate sobre relações étnico-raciais e sofrimento mental, além de mesclar psicanálise com militância antirracista por meio de crônicas e artigos em jornais e revistas. Deixou importantes reflexões sobre o ser negro em uma sociedade racista. Veja mais detalhes sobre sua trajetória.


Nilma Bentes

Agrônoma e ativista, Nilma Nentes é líder do movimento negro na região amazônica. Além disso, ela é considerada referência para os movimentos negros e de mulheres negras do Norte do Brasil, mobilizando encontros na região e articulando apoio para as pautas da comunidade negra. Conheça sua trajetória.


Nilma Lino Gomes

Pedagoga, gestora e escritora, Nilma Lino Gomes tornou-se a primeira mulher negra do Brasil a comandar uma universidade pública federal: foi nomeada, em 2013, como reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), localizada na cidade de Redenção, Ceará. Confira o verbete sobre a sua trajetória.


Renata Felinto

As obras da artista visual, pesquisadora, educadora, escritora, performer e ilustradora Renata Felinto fundamentam-se na questão da identidade negra feminina. A artista também destaca-se pelo exercício da arte-educação em universidades e instituições de cultura. Saiba mais sobre sua obra.


Rosana Paulino

Artista visual, pesquisadora e educadora, Rosana Paulino destaca-se por fazer da imagem impressa um meio estruturador de seu pensamento visual, desdobrando-a em diferentes linguagens. Desde os anos 1990, a artista investiga questões que eram pouco discutidas no cenário artístico brasileiro, como gênero, identidade e representação negra. Leia o verbete.

Ruth de Souza

Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que a atriz Ruth de Souza (1921-2019) foi, é e sempre será um farol para artistas negras e negros. Pioneira no teatro, cinema e televisão, foi a primeira artista negra a conquistar projeção na dramaturgia brasileira. Em sua longa trajetória, de repercussão internacional, contrariou construções estereotipadas de personagens negros. Por meio de sua consciência política, criou gestuais e universos próprios para as mulheres que representou. Confira mais detalhes sobre sua trajetória em cena.


Sandra Andrade

Sandra Andrade é assistente social e liderança quilombola. Com atuação na direção da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), contribui na construção do coletivo de mulheres e do coletivo jurídico. Leia o verbete.


Selma Dealdina

Produtora cultural, militante e ativista do movimento social negro e quilombola, Selma Dealdina é responsável pela organização de eventos culturais, além de participar intensamente da política em diferentes organizações e frentes no combate ao racismo, como a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), pela luta quilombola e em favor do meio ambiente. Conheça sua trajetória.


Sônia Gomes

A artista visual Sônia Gomes destaca-se pelo fato de suas obras serem impregnadas de visualidade pictórica, ao mesmo tempo que se inscrevem no espaço tridimensional. Os trabalhos evocam a memória e a ação do tempo sobre as coisas e revelam outros paradigmas estéticos, com fontes no trabalho manual, na cultura afro-brasileira e nas práticas visuais populares. Confira a sua obra.


Sueli Carneiro

Conselheira da Plataforma Ancestralidades, Sueli Carneiro é, de modo inquestionável, uma das maiores intelectuais da história brasileira. Filósofa, escritora e ativista feminista antirracista, é também referência do feminismo negro nacional e tem trajetória de décadas dedicada ao enfrentamento do racismo e do sexismo na sociedade brasileira. É também uma das fundadoras do Geledés - Instituto da Mulher Negra. Saiba mais detalhes sobre a sua trajetória.


Tereza de Benguela

Importante líder quilombola do século XVIII, Tereza de Benguela dedicou sua vida à luta por sua liberdade e de seus semelhantes, tornando-se símbolo da resistência quilombola até os dias atuais. Conheça a sua história.


Vilma Reis

Intelectual e ativista, Vilma Reis construiu sua trajetória em defesa da igualdade racial, de gênero e de classe social. Atua na política institucional e é referência na luta pela representação de mulheres negras no estado da Bahia. Leia o verbete sobre sua trajetória.


Yedamaria

Yedamaria (1932-2016) foi artista visual e professora. Suas pinturas, gravuras e colagens são povoadas por embarcações de saveiros, sereias, Iemanjás e naturezas-mortas que compõem figurações do cotidiano, abordadas com um profundo lirismo, atento às questões da abstração, da nova figuração e da visualidade popular. Confira sua obra.

 

Zélia Amador

Fundadora do Centro de Estudos e de Defesa do Negro no Pará (Cedenpa), Zélia Amador é artista, oradora na Conferência de Durban e professora universitária. A intelectual é uma das principais referências do movimento de mulheres negras e liderança do movimento negro da região amazônica. Acesse o verbete com a sua vida e obra.

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