Mina
Termo utilizado antigamente no Brasil para designar de forma genérica e inclusiva qualquer escravizado embarcado na região da África ocidental chamada pelos portugueses de Costa da Mina, isto é, o litoral que se estendia a leste do castelo de São Jorge da Mina, construído entre 1484 e 1488, no atual Gana, até o rio Lagos, na atual Nigéria. A região incluía a Costa do Ouro e a Costa dos Escravos, onde estavam localizados os reinos Ashanti, Daomé e Oyó, bastante influentes no período do tráfico atlântico.
No Brasil colônia, “mina” virou a categoria mais popular para identificar os “africanos ocidentais”, em oposição às nações congo e angola dos povos bantos da África central. Os nomes de nação, porém, adquiriam conteúdos distintos segundo as diferentes épocas e regiões. Por exemplo, na Bahia do século XIX, “mina” podia ter também uma abrangência menor, referindo apenas africanos importados do porto de Pequeno Popo ou Mina Pequena, no atual Togo. Assim, surgiram expressões como mina-popo, mina-nagô, mina-jeje, qualificando e restringindo a generalidade do termo.
Os minas constituíram aproximadamente 25% do total de escravizados desembarcados no Brasil e foram muito presentes nas Minas Gerais no período aurífero. Esses povos, incluindo os jejes e os nagôs, contribuíram de forma marcante para o desenvolvimento das práticas religiosas afro-brasileiras. Em São Luís do Maranhão, por exemplo, as pretas minas de nação jeje fundaram, em meados do século XIX, a Casa das Minas, dando nome ao Tambor de Mina, uma das variantes regionais das religiões de matriz africana no país. Com o tempo, o Tambor de Mina maranhense foi agregando elementos da pajelança ameríndia, do catolicismo e do espiritismo kardecista.
[1] LOPES, Nei; MACEDO, José Rivair. Dicionário de história da África, vol. 2. Belo Horizonte: Autêntica, 2022, p. 330