Iaô
No candomblé, título da hierarquia sacerdotal que acompanha a mulher, em qualquer idade, por sete anos a partir da feitura. Uma de suas principais características é a faculdade de receber o orixá em transe mediúnico, razão pela qual sua cabeça é preparada, durante a iniciação, para funcionar como “receptáculo” da divindade.
A origem do termo é o iorubá iyàwó, noiva; esposa; mulher recém-casada, pois a mulher “feita”, iniciada, é considerada “esposa” do orixá. Nos candomblés jejes, a sacerdotisa com funções correspondentes é mencionada como vodúnsi, “esposa do vodum”.
No rigor da tradição de culto aos orixás, a função sacerdotal principal era atribuição feminina. Assim, nos primeiros tempos, nenhum ser humano do gênero masculino atuava como “médium”, com algumas exceções, como a Nigéria, onde os homens podiam assumir papéis 'femininos' de iyawo, por exemplo, no culto de Xangô. Apesar disso, eram majoritários nos postos de liderança dos terreiros baianos, exercendo cargos importantes, como o de ogã, em suas diversas especialidades. Já nos terreiros baianos de nação nagô da década de 1940, segundo a antropóloga norte-americana Ruth Landes, eram raros os homens chefes: os que havia eram chamados “pais”, iniciavam “filhas” e alguns “filhos”, os quais eram proibidos de dançar na roda do xirê e excluídos de “certos mistérios femininos” [1]. Ver BABALORIXÁ; BABALAÔ
[1] LANDES, Ruth. A cidade das mulheres. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967, p. 288.