Ebó
Oferenda ritual, propiciatória ou de agradecimento, feita a um orixá. Originário do iorubá ebo, sacrifício, o termo ganhou, no Brasil, no ambiente do candomblé, o sentido de “oferenda” e, na umbanda e similares, o de “despacho”, ou seja, oferenda feita a Exu, passando a nomear, mais especificamente, o conjunto de elementos rituais contidos no pacote ou embrulho que envolve a oferenda, ou mesmo o embrulho em si.
Entretanto, no universo de Ifá, reabilitado no Brasil a partir da década de 1980, ebó é o sacrifício visto como ritual simbólico de comunicação entre todas as forças do Universo, comparável, nessa acepção, ao banquete ritual do culto doméstico chamado, na Antiguidade romana, de sacrificium, da expressão sacra facere, “tornar sacro”, “fazer agradável aos deuses” [1]. Assim sendo, a orientação mais comum do sistema oracular de Ifá aos que o consultam para resolver problemas é recomendar que a pessoa faça um ebó, ou seja, um sacrifício a uma divindade determinada, aos cuidados de Exu (ou Eleguá), em sua condição de mensageiro.
[1] Cf. LOPES, Nei. Ifá lucumi: o resgate da tradição. Rio: Pallas; 2020, p. 72