Búzios
Usados antigamente na África como moeda, os búzios (conchas de moluscos gastrópodes) estão fartamente presentes nas religiões da Diáspora, sobretudo como símbolos de prosperidade econômica. São também utilizados como ornamento em trajes, colares e outros elementos litúrgicos, além de integrar os assentamentos representativos de quase todas as divindades iorubanas.
Seu emprego mais difundido, porém, é no chamado “jogo de búzios”, processo divinatório no qual, usando conchas convenientemente preparadas, o oficiante orienta o consulente sobre direções a tomar em sua trajetória espiritual e existencial. A adivinhação, feita por babalorixás, ialorixás e outras classes de ritualistas, se endereça a Exu ou Eleguá e configura uma forma simplificada da consulta ao oráculo Ifá, exclusiva do babalaô. Embora não se possa precisar o método, a prática remonta, no Brasil, a pelo menos 1750, com registro do uso de búzios por um ritualista banto mencionado como Negro Matheus[1].
No jogo de búzios de origem iorubana (merindilogum), dezesseis conchas, com um lado aberto e outro fechado, são arremessadas sobre uma superfície – uma esteira ou mesa. A resposta, em resumo, é dada pelo confronto, em cada arremesso, entre o número de conchas que caem com a “boca” para cima e o das demais, o que dá ao ritualista um caminho para a interpretação. Ver IFÁ.
[1] Cf. NOGUEIRA, André. Os calundus e as Minas Gerais do século XVIII – http://doc.player.com.br.