Babalorixá
Designação atribuída no Brasil ao sacerdote chefe de um candomblé, sobretudo de origem nagô. A palavra vem do iorubá babalóòrisá e corresponde aos títulos doté, vodunon ou humbono nas casas jejes e tata-de-inquice nos cultos bantos.
O termo tem provável entrada no vocabulário brasileiro com a organização das primeiras casas de culto aos orixás jeje-nagôs, ocorrida no século 19, juntamente com denominações menos específicas, tais como “pai-de-terreiro” e “pai-de-santo” – sendo esta, aliás, capaz de esclarecer sua etimologia, já que baba corresponde a “pai” e olórisá, a “adorador de orixá”, resultando em “pai adorador de orixá”. O primeiro registro escrito aparece na Bahia em 1863 como baba-loixa [2].
Embora o predomínio nesse tipo de liderança tenha sido, antigamente, de mulheres (ialorixás), a história dos candomblés conta com líderes importantes no exercício de atribuições tanto espirituais como administrativas. É o caso, por exemplo, de Eduardo de Ijexá (1881 -1988), nascido e falecido na Bahia, reconhecido como um dos maiores expoentes da nação Ijexá em seu tempo: por meio do etnólogo Pierre Verger, estabeleceu contato por escrito, na língua nativa, com o rei tradicional dos ijexás na Nigéria, emocionando o destinatário[2]. Outro grande babalorixá, numa época marcada por violenta repressão, foi o baiano Procópio de Ogunjá (1868-1958).
[1] ADÉKÒYÀ, Olúmúyiwá Anthony. Yorubá tradição oral e história. São Paulo: USP, Centro de Estudos Africanos, 1999,
[2] O Alabama; 24 dez. 1863, p. 2
[2] Cf. VERGER, Pierre F. Orixás, 5ª ed. Salvador, BA. Corrupio, 1997, p.31