Revolta de Manuel Congo
Iniciada em 5 de novembro de 1838, na vila de Vassouras, localizada no distrito de Paty do Alferes, no Rio de Janeiro, a Revolta de Manoel Congo tem como ponto de partida a fuga coletiva de centenas de cativos pertences a Manuel Francisco Xavier, seguida do assalto às suas fazendas Maravilha e Freguesia.
Muito da importância desta rebelião se deve ao fato de ocorrer em um dos núcleos cafeeiros mais prósperos do sistema escravista brasileiro e com enorme centralidade na política do Império. As motivações da revolta são desconhecidas, mas os jornais da época mencionam os maus tratos recebidos nas fazendas de Xavier e a existência de feiticeiros entre os cativos, cuja liderança insufla os atos de rebeldia.
Com efeito, líderes da revolta, como Manuel Congo e Ignácio Rebolo, são referidos com o nome de “pai” no depoimento de alguns cativos recapturados, dado que reforça a hipótese da existência de aspectos mágicos e religiosos na organização da revolta. Por outro lado, os autos do processo contra os sublevados fornecem indícios de que a enorme fuga objetiva a constituição de um quilombo nas matas limítrofes. Os insurretos são compostos por africanos e contam com a participação ativa das mulheres entre seus membros.
Sete escravizados são condenados por organizarem a revolta. Seis deles recebem a pena de 650 açoites e são obrigados a usar gancho de ferro ao pescoço durante três anos. Manuel Congo é condenado à morte e enforcado no centro da vila de Vassouras.