Bicentenário da romancista e professora é celebrado em 11 de março; a artista é a primeira mulher negra a publicar uma obra no Brasil Mais do que reverenciar e celebrar os saberes afro-brasileiros, a Plataforma Ancestralidades tem como objetivo mostrar um Brasil que, mais do que invisibilizado, foi silenciado por séculos e que ainda sofre com situação de violência decorrente das relações raciais no país.
Entre os inúmeros nomes cujas trajetórias merecem - e precisam - ser conhecidas, a vida e obra de Maria Firmina dos Reis (São Luís, Maranhão, 1822 – Guimarães, Maranhão, 1917) têm lugar de destaque, cujo bicentenário de nascimento é celebrado em 11 de março.
A romancista, contista, poeta e professora é considerada precursora das literaturas abolicionista e afro-brasileira. O motivo? Maria Firmina dos Reis publica em 1859 a obra Ursula, o que a transforma na primeira mulher negra a lançar um trabalho literário no Brasil.
A trama tem, inclusive, tons considerados disruptivos para o ethos da sociedade brasileira à época, marcada ainda pela escravização de pessoas negras. A narrativa do livro, na qual negros escravizados falam e escrevem por si, descreve o destino de um triângulo amoroso na sociedade patriarcal escravista brasileira daquele período.
No entanto, a trajetória da romancista vai muito além da sua carreira literária: ela é considerada também uma liderança educacional, a ponto de ter recebido o título de Mestra Régia em História da Educação Brasileira em 1880, ano em que funda também uma escola gratuita de ensino misto - no caso, simultaneamente para meninos e meninas -, e tem notória atuação em favor da causa abolicionista.
Para a eternidade
Confira mais aspectos da trajetória de Maria Firmina dos Reis no verbete publicado na Plataforma Ancestralidades sobre a sua vida e obra, assim como a matéria produzida pela equipe do Itaú Cultural com seis curiosidades a respeito de sua trajetória.
Além disso, você pode conferir como o pioneirismo e a luta de Maria Firmina dos Reis e de demais escritoras/es reverberou nas gerações seguintes até os dias atuais em duas seções da Plataforma Ancestralidades: