Ossãim
Orixá iorubano vinculado à Natureza. É o absoluto detentor do conhecimento sobre as propriedades benéficas e maléficas de árvores, folhas, raízes, sementes e frutos, cuja utilização no cotidiano e nos rituais relacionados a práticas de cura, saúde e consagração das representações religiosas está, por isso, sob seu domínio.
Participante da criação do mundo como formador e organizador do reino vegetal, tem sua importância expressa na constatação de que sem plantas nenhum ritual religioso de matriz africana tem eficácia. Vive na mata cerrada junto com Arôni, espécie de duende de uma perna só. Embora cada orixá tenha como sua uma ou mais plantas votivas, é primeiramente a Ossaim que todas se consagram. Os sacerdotes de seu culto – denominados babalossaim no Brasil e osaiinistas em Cuba –, quando vão colher plantas, sempre devem fazer-lhe uma oferenda em dinheiro.
Tem como símbolos as folhas, a cabaça e figura de um pássaro encimando uma haste de ferro. Esta representação é explicada por um texto de Ifá segundo o qual o pássaro (chamado Eleié) vai a toda parte e, na volta, se empoleira na cabeça de Ossaim para lhe contar o que viu. De acordo com algumas fontes, o orixá se apresenta como uma divindade “que adivinha por ventriloquismo”[1].
Nos cultos de matrizes bantófones, o inquice presente na energia de florestas, matas e folhas é chamado Katendê, cujo avatar é o camaleão. Seu culto é predominante entre os Khoisan e Masai, tendo sido absorvido nos contatos entre essas etnias e os Bakongo. O culto a Katendê revela uma das características fundantes do modo banto de relacionamento entre povos distintos: a hospitalidade tanto entre vivos como entre estes e seres de modos de existência distintos.
[1] ABRAHAM: op. cit. verbete Osonyin: p.528.