Ogum

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Orixá guerreiro, cuja descrição está diretamente relacionada a narrativas orais e registros escritos que o posicionam na mitologia iorubá como aquele que sai à frente nas questões relacionadas às disputas e ao comando da vida terrena. Toda ritualística é precedida de invocação aos nomes de Exu e Ogum.

Segundo versões que circulam no Brasil e em outros países da Diáspora, Ogum vivia na floresta, na condição de caçador, alimentando-se do que a natureza oferecia. Um dia, descobriu o ferro em estado natural e aprendeu a extraí-lo e moldá-lo com o uso do fogo, assim criando ferramentas de trabalho e armas. Algumas fontes mencionam, também, Ogum como soberano de um antigo reino, a partir do qual foi divinizado após a morte. No vasto repertório de sua mitologia, é ainda apresentado como o defensor do patriarca Odudua, na contenda em que este teve como adversário Obatalá, e como uma figura isolada, que tem a floresta como seu domínio natural. 

Há, além disso, narrativas que o retratam como participante, em sua saga de divindade superior, da Criação do Mundo como originador dos minerais e montanhas, o que estaria relacionado, de forma simbólica, à passagem, na Pré-História, da Idade da Pedra à dos Metais, e, segundo idealizações mais recentes, ao segredo da transformação do minério em metal e ao desenvolvimento da tecnologia – abrindo os caminhos do conhecimento, na direção do bem-estar e do desenvolvimento técnico. 

Seu culto é originário da região nigeriana a leste do rio Níger, no limite entre os atuais estados de Ondo e Ogún, onde corre rio de mesmo nome. Mencionado como uma das mais antigas divindades cultuadas pelos povos iorubás[1], tem sua personalidade e suas habilidades físicas definidas a partir de características que se apresentam em outros ancestrais nas culturas africanas importadas para o Brasil. Muitas foram diluídas e ressignificadas; porém, permanecem, em essência, as atribuições sociais e sobrenaturais. Sua divinização estaria ligada ao momento em que, em tradições africanas, os ferreiros passaram a ser respeitados como intermediários entre os humanos e o Ser Supremo[2].

Nos candomblés bantos, existe a divindade Tat’ etu hoxi Mukumbi/Nkosi Mukumbi, considerada a mais próxima associação ao Ogum dos iorubás, sobretudo por ser o guerreiro, o lutador, o gestor da forja, o senhor do ferro, de metais leves e pesados, e ligado às causas sociais e às batalhas.

Hoxi, Hoji, Nkosi, Tambelacimbe são os nomes dos vários Bakisi (o plural de Nkisi, inquice) que incorporam a energia do leão, visto pelos bantos como a energia da vingança, das lutas cotidianas, e sendo, por isso, referendado nos reis ferreiros dos Bakongo, onde a coroa do Rei é também chamada de Nkosi. Não à toa, uma cantiga específica desse inquice evoca a união daqueles que enfrentam dificuldades.

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