Logun-Edé
Orixá da tradição do povo ijexá, subgrupo dos iorubás. Seu culto experimentou grande expansão a partir da década de 1950 no Brasil, graças a sacerdotes como o babalorixá Eduardo de Ijexá, embora estivesse, segundo alguns autores, em decadência já na década de 1930 na região de origem.
Seu nome parece remeter a Èdé, lugar a sudoeste de Oshogbo, e também à condição de logun (ológun), “guerreiro, líder de um grupo de jovens adultos”, em oposição ao bale, “líder dos mais velhos”[1], o que resultaria no epíteto “o guerreiro de Edé”. A principal característica de Logun-Edé é ser, antes de tudo, um “orixá filho”, que carrega consigo, de maneira absolutamente definida, a natureza da mãe, Oxum Pandá (Iponda) e a do pai, Erinlé ou Ibualama.
Não deixa, porém, de ter a própria individualidade, sendo descrito como um orixá metametá (do iorubá méta, “três”), “três em um”, e não “dividido em duas metades”, andrógino, como às vezes se supõe. Assim sendo, pode mostrar diversas facetas: pescador, curandeiro, caçador etc. e revestir a forma que quiser. Seus domínios, então, são diversos, compreendendo as matas, as cachoeiras, os rios -- ibualama, onde mora seu pai, é o lugar mais fundo de um rio. Graças a isso, ele vive parte de seu tempo sobre a terra, comendo caça, e outra sob as águas do rio, alimentando-se de peixe. Algumas tradições referem Logun-Edé ora como filho de Oxum, ora como seu mensageiro[1].
Nos candomblés brasileiros, Logum Edé usa as cores amarelo-ouro e azul-turquesa e seu paramento tem como ferramentas o abebé (leque espelhado de Oxum) e o ofá (arco e flecha dos orixás caçadores). São ainda representativos do orixá o cavalo-marinho (animal cujos embriões são transportados na barriga do macho) e o pavão real, capaz de se transmutar ao abrir a longa cauda. Sua comida votiva principal é o Omolokum, mesmo alimento ofertado a Oxum, sua mãe, e preparado a partir de feijão fradinho, ovos e camarões secos.
[1] BASCOM, William. The Yoruba of Southwestern Nigeria. Case Studies in Cultural Anthropology. New York: Holt, Rinehart & Winston, 1969.
[2] LOPES, Nei. Logunedé: santo menino que velho respeita. Rio, Pallas, 2005, p.185-7.