Iorubá
Língua falada a partir do sudoeste da atual Nigéria e do sudeste da República do Benim. Seus atuais falantes constituíam, no passado, povos diversos, como os oiós, ifés, quetos, efãs, egbás, ijebus, ijexás etc., cujas denominações correspondiam aos nomes de seus respectivos territórios. Os falares eram diferentes entre si, mas guardavam uma origem comum, e seus representantes compartilhavam afinidades culturais bastante fortes.
Pontas de lança das potências europeias durante o colonialismo, missionários cristãos passaram a usar, em seu trabalho de evangelização, o dialeto de Oió, o maior e mais forte dos reinos locais, servindo-se de um vocabulário criado por certo John Raban, c. 1830. A esse pequeno dicionário seguiu-se outro, publicado na década seguinte, de autoria do reverendo Samuel Ajayi Crowther, bispo da Igreja Anglicana nascido em Oió e falecido em Lagos, na atual Nigéria. O termo “Yoruba” foi utilizado pela primeira vez nesse trabalho, para designar a língua e, por extensão, os seus falantes.
Dessa forma, embora conservando suas identidades étnicas, os habitantes da região viram nas semelhanças, mais que nas diferenças, a possibilidade de fortalecimento diante do colonialismo. Então reconheceram e aceitaram, não sem algumas resistências, a identidade iorubá[1], nome de origem incerta, que na língua hauçá é transcrito como yarba, yarriba, yaribawa. No Brasil, onde os falantes eram conhecidos como nagôs, e em outros países da Diáspora, o iorubá tornou-se a língua litúrgica dos candomblés dessa nação e similares, ou seja, tornou-se “a língua dos orixás”.
[1] SILVA, Alberto da Costa e. A manilha e o libambo. Rio, Nova Fronteira: Fundação Biblioteca Nacional, 2002, p. 533.
[2] ROBINSON, Charles H. Robinson. Dictionary of the Hausa language. UK, Cambridge, 1925. v. 2, p. 288.
[3] VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás. Salvador, Corrupio, 1981, p. 14.