Instrumentos Musicais
A execução de música africana, na origem e na Diáspora, utiliza uma grande variedade de tambores, cujos nomes coincidem com as danças que geram e acompanham. Quando usados ritualisticamente, os tambores tornam-se sagrados, já que o som que emitem é portador de energia vital, de axé, servindo como veículo de comunicação entre o mundo dos seres vivos e o invisível, das entidades sobrenaturais. Por isso, recebem sacrifícios e oferendas e são tratados com o respeito que merecem as divindades e os ancestrais divinizados.
No Brasil, a etnomusicóloga Oneyda Alvarenga[1] enumerou como de origem ancestral negra os seguintes instrumentos musicais: adufe, agogô, atabaque, berimbau, carimbó, caxambu, cucumbi, fungador, ganzá, gongom, marimba, mulungu, pererenga, piano de cuia, puíta, quiçanje, roncador, socador, tambu, ubatá, vu, vuvu e xequeré (jeguedê), muitos dos quais pertencem ao domínio religioso. Na tradição do candomblé baiano, por exemplo, são já históricos os que compõem o trio de tambores denominados rum, rumpi e lê, de origem jeje-nagô, conduzidos pelo agogô iorubano e eventualmente enriquecidos com o som do xequeré.
O ritmo desses “atabaques”, como são mais comumente referidos, garante a admirável polirritmia das cantigas do candomblé. E o faz com toques específicos a cada nação ou orixá, uns executados com baquetas, outros com as mãos livres. Como exemplo, enumeramos: o aguerê, de Oxóssi; o alujá, de Xangô; o ijexá, de Oxum e Logun-Edé; o ilú, de Iansã; os toques bravum, sató e avamunha, da nação Jeje.
Os toques característicos das nações congo e angola, chamados ngoma ou xicarangoma (contração de Kuxika ria N’goma, ou “tocadores de atabaque”), são: Congo de Ouro, Cabula ou Monjola (cadenciado como o samba), Barravento (toque da guerra), Barravento Quebrado (tocado para entidades ligadas a senhoridade) e Arrebate, sempre tocados com mãos livres. As jingoma (plural de ngoma) são chamadas de: Munjola, Mungongo e Mungonguinho, do maior para o menor, respectivamente, tendo cada uma toques específicos durante a execução das cantigas sagradas (muimbu dya nkisi).
[1] ALVARENGA, Oneyda. Música popular brasileira. Porto Alegre, Ed. Globo, 1960.