Iemanjá
Orixá feminino do panteão iorubá. É a grande protetora da família, da maternidade-e da pesca como atividade de manutenção da vida. Tem como cor simbólica o azul marinho e, como adereço, também simbólico, um colar de contas de vidro. Seu nome deriva da expressão iorubá “Yèyé omo ejá”, traduzida como “Mãe cujos filhos são peixes” [1], e sua saudação é “Odò Ìyá” (“mãe do rio”).
Na tradição baiana, é festejada no dia 2 de fevereiro, consagrado a Nossa Senhora das Candeias. Nesse dia, em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, realiza-se, no mar, com grande afluência de fiéis, a cerimônia do Presente das Águas ou Presente de Iemanjá, instituída na década de 1920 por iniciativa de pescadores locais e sob a orientação da ialorixá Júlia Bugan, fundadora do candomblé conhecido como Língua de Vaca, de nação ijexá.
Fortemente presente em vários países da Diáspora e em muitas vertentes religiosas afro-brasileiras, o culto desta popularíssima divindade é, segundo as principais fontes, originário do subgrupo dos egbás, povo estabelecido outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde corre o rio Yemoja, e, no século 19, por força de guerras internas, emigrado para Abeocutá. Nessa viagem os migrantes levaram consigo os assentamentos, suportes do axé da divindade, e chegando ao seu destino fizeram do rio Ógùn a nova morada de Iemanjá.
No Brasil, a exemplo de outros orixás, são conhecidas outras denominações, ou “qualidades”, pelas quais Iemanjá é invocada, como: Assabá, que está sempre fiando algodão; Assessu, muito voluntariosa e respeitável; Iamassê, mãe de Xangô; Olossá, que é também o nome de uma lagoa em território iorubano; Ogunté, casada com Ogum Alabedé etc.
No continente africano, a entidade que comanda a profundidade dos oceanos para a cultura iorubá é Olokum, pai de Iemanjá. Na diáspora, entretanto, o culto específico a Olokum não se desenvolveu, e o comando dos oceanos foi dado a Iemanjá, entidade que na costa africana do Atlântico costuma ser cultuada no encontro entre as águas do rio e do mar e nas águas marinhas mais rasas.
Nos candomblés brasileiros, a principal comida votiva ofertada a Iemanjá é o eboyá, preparado com favas cozidas ou milho branco e refogado com cebola, camarão, azeite de dendê ou azeite doce.
Nos terreiros jejes, Iemanjá foi associada ao vodum feminino Aziri Tobossi, originalmente um espírito dos rios cultuado pelos povos mahi-agonlis, ao norte do Daomé, e a mais importante divindade das águas nessa nação.
Já nos candomblés de matriz banto, as energias aquáticas (águas salgadas) são encontradas com diversas denominações: Kayala, Kukuetu, Kaitumba. Também estão ligadas ao culto das Kiandas, entidades sereianas associadas a fecundidade feminina, fartura nas colheitas e pescarias. Todos os anos é realizada a Festa da Kianda para cultuá-la em Luanda, Angola, uma semana antes da festa da padroeira da Ilha, e em Ibendoa (província do Bengo) em julho, quando são ofertados alimentos, flores e adereços. Tudo muito semelhante à festa realizada em Salvador.
[1] VERGER, Pierre. Orixás.