Afrodescendente

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Afrodescente é um termo usado para descrever pessoas ligadas por uma ancestralidade comum, relacionada à experiência da escravidão atlântica desde a diáspora africana .

O termo é utilizado para designar descendentes de africanos em diferentes contextos históricos e territoriais das Américas. Variações desse termo se referem às realidades nacionais e regionais: afro-mexicano, afro-colombiano, afro-caribenho, afro-brasileiro, entre outras variantes. Essa nomenclatura cria uma identidade comum aos povos negros das Américas e demais territórios alcançados pela escravidão africana moderna.

De modo frequente, essas categorias trazem estigmas persistentes de uma longa história de discriminação e racismo, o que leva grupos de intelectuais e ativistas negros a buscarem pela descontrução desses termos pejorativos ou pela sua substituição pela expressão afrodescendente.

Em grande parte dos países latino-americanos que abrigam esses sujeitos, a adoção do termo afrodescendente ainda é uma construção social e política. No Brasil, os movimentos negros preferem usar o termo negro para se referir aos descendentes de africanos. O termo afrodescendente, entretanto, circula na academia, nos documentos institucionais nacionais e internacionais, na imprensa e mesmo nos movimentos sociais. 

Com base nos censos mais recentes de dezesseis países, a América Latina possui cerca de 134 milhões de afrodescendentes, o que representa quase 21% de sua população total. No entanto, a distribuição desses indivíduos é altamente desigual pela região. Mais de 90% estão concentrados no Brasil e na Venezuela. 

O termo afrodescendente, ao contrário do termo mestiço ou demais categorias étnico-raciais, surge para reagir às formas de apagamento das heranças africanas culturais e populacionais na América Latina e no Caribe. Enquanto o termo mestiço remete a ideologias nacionais na região, como a da democracia racial e a do embranquecimento, o termo afrodescendente encaminha-se para a afirmação da negritude e da ancestralidade africana. Trata-se, portanto, de uma categoria transnacional, de solidariedade e de unidade dos povos descendentes de africanos na diáspora. 

De forma geral, afrodescendente diz respeito a sujeitos da diáspora africana. Nas Américas, ele é principalmente associado aos descendentes de africanos escravizados entre o século XVI e o final do século XIX, e seu uso é relativamente novo na América Latina. A nomenclatura éfoi adotada oficialmente em declaração assinada por representantes latino-americanos e caribenhos reunidos na Conferência Regional contra o Racismo, realizada em Santiago, Chile, em 2000. A conferência é convocada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para articular a agenda regional antes da Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em 2001.

O período entre 2015 e 2024 é proclamado pela Assembleia Geral da ONU como a Década Internacional dos Afrodescendentes. Com essa determinação, a ONU reconhece identidades, experiências, culturas de mais duzentos milhões habitantes no continente americano e que se identificam como descendentes de imigrantes africanos durante os séculos XX e XXI e, sobretudo, descendentes de africanos escravizados no tráfico atlântico. A organização reconhece ainda que esses grupos populacionais formados por afrodescendentes são segmentos demográficos que vivem vulnerabilidades sociais e econômicas.

Esse reconhecimento internacional é importante, pois tais grupos sofrem discriminações e desigualdades sistemáticas e históricas no plano doméstico. A partir desse diagnóstico, os afrodescentes passam a receber atenção por meio de políticas públicas voltadas para a correção das severas disparidades sociais e econômicas.

A Década do Afrodescendente é um esforço na esfera internacional para enfrentar o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância vivida por afrodescendentes ao redor do mundo. O compromisso dessa década é reconhecer os direitos humanos dessas populações, valorizar e proteger seu patrimônio material e imaterial e suas contribuições para a humanidade, bem como aplicar as resoluções da Declaração e Programa de Ação de Durban e do tratado da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, rediscutidas da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Intolerância Correlata, ocorrida em 2001, na África do Sul.

A variedade de termos que precedem a ideia de afrodescendente descreve diferentes gradações de miscigenação é resultado de uma história complexa de relações de dominação e exploração com base no critério racial. O termo afrodescendente na América Latina pode não apenas descrever um conjunto populacional amplo de pretos e mestiços na região, mas também dar conta da politização das identidades dos segmentos descendentes de africanos no território. 


 

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