Revolta da Cabanada
A Cabanada é um movimento armado que ocupa as matas ao Sul de Pernambuco e ao Norte de Alagoas entre 1832 e 1835. Marcados pela pluralidade étnico-social, os cabanos, que recebem esse nome por viverem em cabanas escondidas nas matas, são pequenos produtores, trabalhadores livres pobres, indígenas aldeados, libertos e escravos fugidos.
Considerada como uma revolta restauradora, a cabanada eclode a partir das tensões entre as elites regionais no período regencial. Senhores de engenhos do Agreste e proprietários recifenses, sentindo seus privilégios ameaçados, reivindicam o retorno do Imperador D. Pedro I, que havia abdicado do trono brasileiro e assumido a Coroa portuguesa depois da morte de D. João VI.
Se as elites locais pretendem restaurar a situação política, os sentidos da adesão de diversos estratos da população rural em torno de um projeto católico e a favor do retorno do imperador devem, entretanto, ser buscados nas próprias experiências dessas organizações sociais.
As lutas políticas entre liberais moderados e exaltados que marcam o contexto histórico daquele período não resultam em melhoria de vida para a população do campo. Pelo contrário: o avanço da economia açucareira representa uma ameaça ao acesso à terra e contraria as tradições e os costumes arraigados de como proprietários se servem dela.
As estratégias de guerrilha adotadas durante os conflitos também favorecem a adesão dos escravos, dando ao movimento um caráter antiescravagista. Por esse motivo, mesmo depois dos acordos estabelecidos entre o Estado e os rebelados em 1835, alguns deles resistem e permanecem escondidos nas matas, e por mais quize anos atacam engenhos e libertam escravos.