Missa dos Quilombos
Em 20 de novembro de 1981, é celebrada em Recife a Missa dos Quilombos, a primeira realizada no Brasil (e possivelmente em todo o mundo católico) em que altos representantes da Igreja se penitenciam e pedem perdão pelo posicionamento histórico da Igreja Católica diante do povo negro, da África e dos negros aquilombados.
A missa é idealizada pelo bispo emérito do município de São Félix do Araguaia (MT), Dom Pedro Casaldáliga (1928-2020), em parceria com o poeta e político Pedro Tierra (1948) e com composições do músico Milton Nascimento (1942). É celebrada por Casaldáliga ao lado do Arcebispo de Maceió (AL), Dom José Lamartine (1927-1985) e do Arcebispo emérito de Olinda e Recife (PE), Dom Helder Câmara (1909-1999), para cerca de oito mil pessoas.
A Missa do Quilombo dá continuidade à reflexão teológica iniciada por Casaldáliga em 1979 na Missa da Terra sem Males [1], assim como às iniciativas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com a criação dos Agentes de Pastoral Negros (APN). Trata-se de um marco no movimento de revisionismo histórico da igreja progressista no Brasil, trazendo a questão étnico-racial para a reflexão dos agentes eclesiais, até então refratários ao tema. As músicas preparadas para a missa deram origem ao álbum homólogo de Milton Nascimento, lançado em 1982.
Notas
[1] Motivada pelo "Ano dos Mártires" da Causa Indígena (1978), a Missa da Terra sem Males faz referência à cosmogonia do povo Guarani, servindo como denúncia tanto da situação contemporânea dos povos indígenas quanto dos crimes do período de colonização.
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