Massacre de 17 de Novembro

1888
colonialismoDemocracia e Direitos Humanos

Em 17 de novembro de 1889, em São Luís, no estado do Maranhão, uma enorme manifestação toma as ruas do centro da cidade: cerca de duas mil pessoas descritas como “libertos”, “homens de cor”, “maltas” e “ex-escravos” saem às ruas para protestar contra a instauração da República ocorrida dois dias antes, na cidade do Rio de Janeiro, capital do Império.

Há menos de dois anos, a abolição da escravatura é decretada, em 13 de maio de 1888, medida que torna a monarquia popular entre a população negra e motiva a fabricação política da figura da Princesa Isabel como “redentora dos escravos”. Ao mesmo tempo, são espalhados na capital maranhense boatos de que a mudança na forma de governo visa restaurar a cultura escravidão nas relações de trabalho. Esses rumores são plausíveis naquele ambiente político de insegurança sobre os direitos conquistados com a abolição. 

O movimento pela indenização dos senhores de escravos demonstra força no estado e os jornais da época dão testemunho da existência de pessoas que permanecem ilegalmente escravizadas mesmo depois do decreto de 13 de maio. O protesto toma as principais ruas do centro da cidade e ameaça invadir e depredar a sede do jornal republicano O Globo, que abriga os próceres do novo regime e é o único veículo de imprensa que noticia o golpe de Estado no Rio de Janeiro.

Uma tropa de linha fortemente armada é destacada para proteger o periódico e não hesita em disparar tiros de fuzil contra a multidão, provocando, segundo números oficiais, quatro mortos e diversos feridos. Em resposta ao Massacre de 17 de Novembro e aos impasses da integração dos negros no novo regime republicano, a bandeira estadual do Maranhão, elaborada naquele contexto, possui quatro faixas brancas, três vermelhas e duas pretas, representando a "fraternidade racial".


 

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