Instituto AMMA Psique e Negritude

saúdeDemocracia e Direitos Humanos

O Instituto AMMA Psique e Negritude é uma organização não governamental paulista que atua desde 1995 no desenvolvimento de estratégias para identificar, elaborar e desconstruir o racismo e seus efeitos psicossociais. 

O instituto é fruto do projeto das psicólogas Ana Maria Silva, Maria Lúcia da Silva (1949), Marilza de Souza Martins e Silvia de Souza, com a intenção de trabalhar por meio de uma abordagem psicossocial as complexas inter-relações étnico-raciais, em especial aquelas entre populações fenotipicamente diferentes. O instituto é representado por um logotipo com uma espiral, representando o crescimento sem deformação da base original e o crescimento sem transgressão da própria origem.

Além de oferecer assessoria para grupos e instituições governamentais e não governamentais, a organização atua realizando oficinas regulares, em que busca capacitar seus membros na identificação e abordagem do racismo institucional. Os ciclos formativos são voltados para o estudo e compreensão dos efeitos psicossociais do racismo. O público alvo desses ciclos e de grupos temáticos ofertados são, em especial, profissionais das áreas de saúde e educação.

A organização conta com atendimento clínico psiquiátrico, atuando no atendimento psicoterapêutico da comunidade negra, tendo como principal objetivo mitigar os efeitos do racismo à psique negra. Para isso, utiliza-se de uma rede de atendimento composta por profissionais especializados em diferentes abordagens clínicas e terapêuticas. A clínica oferece também serviços à sociedade em geral, por acreditar que o racismo afeta a saúde psíquica de todos os indivíduos. 

Em 2007, colabora com o Ministério do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID) no programa de combate ao racismo institucional, ressaltando a importância de uma abordagem psicossocial em práticas desenvolvidas como parte de um programa de identificação e enfrentamento do racismo institucional.

Em 2011, realiza o seminário “O SUS e a saúde da população negra no município de São Paulo”, em parceria com a Secretária Municipal de Saúde, com o objetivo de sensibilizar gestores, trabalhadores da saúde e a sociedade civil para a implementação da Política Nacional de Saúde da População Negra no município, por meio do curso de educação permanente “Questão etnico racial e direito à saúde: qualificando práticas”.

Em 2015, as psicólogas Maria Lúcia da Silva e Clélia Prestes participam da Marcha das Mulheres Negras de Brasília, que tem como tema “Contra o racismo, a violência e pelo bem viver”. Na marcha, o AMMA ressalta que o racismo inviabiliza qualquer possibilidade de uma nação democrática, com igualdade de direitos para todos, pois tem poder adoecedor, à medida em que faz com que as pessoas tenham autoestima estereotipada e distorcida. Portanto, no momento em que a pessoa negra adoece, o atendimento psicológico entra como uma via de tratamento dos efeitos psicossociais do racismo, atuando no enfrentamento à discriminação por duas vias, politicamente e psiquicamente.

O instituto funciona também como centro de estudos, auxiliando na formação de psicólogos brancos e negros para construção de uma melhor escuta com relação a questão racial. Em 2021, é realizado o curso “Psicologia e relações raciais”, com o intuito de oferecer acesso a teorias e vivências que instrumentalizem profissionais da saúde mental e áreas afins, promovendo a compreensão e a intervenção junto a processos intra e interpsíquicos, grupais e institucionais. Propõe-se a prevenção, enfrentamento e elaboração dos efeitos psicossociais do racismo e a promoção da saúde integral. No mesmo ano, é lançado o podcast do instituto para o compartilhamento de ações sobre a atuação da AMMA na compreensão, prevenção e enfrentamento dos efeitos psicossociais do racismo e do sexismo. Os primeiros episódios são voltados para a saúde de mulheres trans negras.

O Instituto AMMA se consolida na luta antirracista por meio do exercício de uma psicologia que leva em consideração as opressões sociais e os efeitos que o racismo produz para todos. Ao reunir diversos pesquisadores, psicólogos e psicoterapeutas em torno da pauta do adoecimento mental causado pelo racismo, o instituto fortalece a construção de uma nova possibilidade de abordagem clínica e epistemológica para a população negra.


 

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